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A busca por sermos sempre os melhores

Observo com frequência a necessidade de muitos em ocupar um lugar especial. Por especial, entendam um lugar de destaque. No trabalho, em casa, com os amigos e até mesmo com desconhecidos. Mas independente do quanto o outro se preocupe e o ame, parece não ser o suficiente. E por que não? Porque há sempre a sensação de que o outro tem algo que não lhe foi dado.

É comum associarmos esse desejo a sentimentos de inveja ou ciúmes, mas os vejo como subprodutos de algo muito maior. Enxergar o mundo e o outro como diferente de si implica em um longo processo e representa um estágio mais avançado de nosso desenvolvimento. Até chegarmos nesse ponto específico, olhamos o outro assim como concebemos a nós mesmos.

Em meio aos diversos estágios do desenvolvimento, passamos por um momento em que nos deparamos com o sentimento do ter e do não ter. Da ausência e da presença. Nessa dicotomia, compreendemos que ter é sinal de poder, enquanto a ausência implica em falta. E, então, corremos em busca de nos sentirmos completos, o que necessariamente exige a intervenção por terceiros, a fim de que se possa experimentar que esse “ser tudo” é mais fantasia do que realidade.

A partir desse momento, compreendemos que a perfeição é inalcançável. Sim, podemos buscar e até alcançar a perfeição em algo que nos dedicamos. Porém, estamos falando apenas de uma única coisa, certo? Um nadador de 100 metros, por exemplo, que quebra o recorde mundial, alcança a perfeição e ocupa uma posição de poder por um breve momento. No entanto, mesmo sendo reconhecido como o melhor nadador do mundo, ele não será o melhor cantor, médico, economista ou qualquer outra atividade caso não se dedicar inteiramente a isso. Dessa forma, essa perfeição, além de ser parcial, é transitória, pois se restringe a um determinado momento que pode deixar de existir.

Veja, então, que a busca por esse “ser total” faz parte de nosso desenvolvimento psíquico, porém deve ser elaborada. Continuar buscando excessivamente lugares de destaque, ou seja, ser tudo para si ou para o outro não diz respeito à ambição, a inveja ou ao ciúme frente ao não ter. Diz respeito a uma necessidade de analisarmos o que é real e o que é fantasia, de maneira a produzirmos um sentido para o sentimento de falta. Comparando quem eu sou e quem eu gostaria de ser, ou ainda, o que eu tenho e o que eu gostaria de ter, conseguimos ressignificar o que acreditamos nos faltar.