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Estudante negra do movimento estudantil da UFSCar é alvo de ameaças racistas

Thalita Suzan Souza é uma estudante de engenharia florestal da Universidade de São Carlos (UFSCar) em Sorocaba e tem 22 anos. Negra, Thalita já atravessou diversas pontes e quebrou barreiras para estar inserida dentro do espaço de um ambiente acadêmico. No Brasil, o percentual de negros nas universidades é extremamente baixo. O sistema de cotas trouxe uma melhora mas a complexidade da questão ainda é grande.

A jovem estudante alcançou um grande objetivo e dentro da universidade, é diretora da atlética, vice-presidente do conselho de entidades, participante do centro acadêmico, cotista e bolsista. Thalita mergulhou no sonho, mas na última quarta-feira (7), a estudante voltou para casa se sentindo ameaçada.

Isso porque, Thalita foi cruelmente insultada em frases escritas no banheiro feminino da faculdade. Com os dizeres, “Preta imunda” e “Vai morrer”, a estudante sentiu em cada partícula do corpo a terrível face do racismo. Nesse caso, anônimo, o que gera ainda mais medo na jovem, que não esperava tanto ódio:

“Quando recebi a informação fiquei em choque. Não esperava tanto ódio e não sei quem poderia fazer algo do tipo porque sou bem ativa politicamente e muita gente me conhece pelas ações”, comenta em entrevista para o G1.

A direção da UFSCar foi informada sobre o caso e abriu um boletim de ocorrência de ameaça. Junto com as frases escritas no banheiro feminino, estavam desenhadas duas suásticas que remeteriam ao nazismo.

Em nota, a Direção do Centro de Ciências Humanas e Biológicas, lamentou o ocorrido. “lamentavelmente, nosso campus entrou na lista das instituições de ensino com aumento de comportamentos inaceitáveis de ódio, que têm se tornado mais públicos e declarados por parte da sociedade brasileira”.

A universitária aguardará as investigações e enquanto isso tomara medidas para se proteger: “Minha família vem para casa, vou continuar indo normal e só não vou ficar sozinha para evitar qualquer problema”, explica.