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São Camilo é banida do JUMED após racismo; entenda o caso

Os jogos universitários marcam uma fase incrível para muitos estudantes. Torcer pela vitória esportiva da sua faculdade, vibrar com uma multidão, conhecer gente nova e encher a cara por horas seguidas faz uma galera contar os dias para esse momento do ano chegar logo. Infelizmente, nem todo mundo sabe se divertir e uma atitude lamentável de estudantes de Medicina do Centro Universitário São Camilo no JUMED comprova isso: racismo durante um jogo de basquete. Em pleno 2018.

A vítima foi o técnico do basquete feminino da UNICID (Universidade Cidade de São Paulo), Rogério Gomes Martins. Na torcida adversária que estava atrás dele na ginásio, estudantes distribuíam xingamentos para irritá-lo. Entre todas as ofensas, Rogério foi chamado de “macaco” por pessoas que futuramente serão médicas no país. No ato do crime, o técnico foi atrás de seus direitos e abriu um boletim de ocorrência contra a Liga do JUMED e a Atlética de Medicina da São Camilo.

Comunicados oficiais

Não demorou para a organização se manifestar. Em comunicado oficial, a Liga dos Jogos Universitários de Medicina, o JUMED, notificou a expulsão imediata da Atlética de Medicina da Faculdade São Camilo. A pena será de banimento por um ano, sendo que o retorno da faculdade será através do Pré-JUMED em 2020. A nota também diz que “tal decisão foi tomada por todas as Atléticas de forma unânime”. Confira na íntegra abaixo:

O artigo 190 do Estatuto permite recurso, que será julgado em até uma semana. A Atlética de Medicina São Camilo também emitiu um comunicado oficial no Facebook, condenando atos de racismo, mas pontuando “que as acusações são provenientes somente por parte de adversários desportivos daquela modalidade e, até o presente momento, desprovidas de maior embasamento probatório, muito menos da identificação do agressor ou dos agressores”.

Quem se posicionou a favor da punição foi a Atlética Geral da São Camilo (que nada tem a ver com a Atlética de Medicina). Também em um post no Facebook, eles lamentaram o ocorrido e lembraram outras situações desrespeitosas envolvendo alunos de Medicina, exigindo também uma postura da direção da Universidade: “O que nos deixa mais indignados, é o fato que não foi a primeira vez e não será a última com certeza, pois nunca vimos punição por parte do Centro Universitário São Camilo”

Alunas das duas faculdades lamentam o caso

O TikTalk conversou com Amanda Cheade, aluna da UNICID. Ela estava dentro da quadra trabalhando como organização e relatou sobre o ocorrido.”Eu não estava presente no exato momento em que os estudantes foram racistas, mas outras pessoas ouviram junto com o técnico e reportaram na hora”, conta a estudante.

“Escutei alunos da São Camilo gritarem “gordo na churrasqueira” para ele repetidamente. É muita crueldade. Fiquei pensando naquele momento como que aquelas pessoa serão médicas algum dia. Preconceito não deveria nem passar pela cabeça delas. A decisão da liga do JUMED me surpreendeu e me deixou muito feliz. Achei em um primeiro momento que a São Camilo seria apenas desclassificada. Mas ainda bem que eles tomaram essa decisão e provaram que os jogos vão muito além de bebedeira. É algo sério e tem limite. Foi desumano e criminoso”, explica Amanda.

Uma aluna de Medicina da São Camilo, que preferiu não se identificar, também lamentou o caso. “Não me sinto representada e me envergonho com o ato racista desses estudantes no JUMED. Medicina é uma profissão que requer muita humanidade e essa atitude é desumana. Os fatos ainda estão sendo averiguados, mas é inegável que ocorreu injúria racial contra o técnico de basquete”, comentou a estudante.

Rogério também se manifesta

Também pelo Facebook, o técnico Rogério Martins, mais conhecido como Rogerinho, contou o que aconteceu no Facebook, revoltado com a situação. O post do treinador recebeu centenas de comentários de apoio e já tinha quase 100 compartilhamentos até a publicação dessa matéria.

 Com colaboração de Guilherme Schiff