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Ex-aluno conta experiência surpreendente ao dar aula no Mackenzie

Depois da formatura, é muito difícil os alunos continuarem frequentando a faculdade. Para a maioria, só em situações bem específicas. No caso de um ex-aluno do Mackenzie, formado em 2016, visitar a instituição que passou cinco anos se tornou uma experiência inesquecível. Com certeza uma daquelas histórias que será contada a vida toda.

Luiz Phelipe Dal Santo é o personagem desse caso. Depois de se formar no Mack, no primeiro semestre de 2016, passou na OAB na mesma época e pouco depois terminou a pós-graduação. Aos 24 anos, ele tem um currículo bem interessante e está ganhando destaque no cenário acadêmico.

No final de 2016, o santista foi aprovado para fazer o mestrado em Criminologia Crítica na Itália. Estudou na respeitada Universidade de Bolonha e Padova. A vivência acadêmica por lá foi enriquecedora. Hoje, ele domina o tema “encarceramento em massa” (assunto da dissertação dele na Itália) como poucos.

Em maio, Luiz encontrou o orientador do seu TCC no Mackenzie, o professor Alexis Couto de Brito. Na conversa, do nada, rolou um convite inesperado para dar aula para a turma do 4º ano…

Confira o bate-papo que tivemos com Luiz e o desfecho dessa história incrível:

TikTalk: Você teve a oportunidade de dar uma aula no Mackenzie. Como que isso aconteceu?

Luiz Phelipe: Então, esse episódio é até difícil de definir em uma palavra. Pouco depois de voltar da Itália, eu combinei com meu orientador da graduação (do meu TCC no Mackenzie) de ir até lá encontrá-lo pra trocar uma ideia. Contar como foi, falar das minhas pretensões acadêmicas e pedir alguns conselhos, algumas sugestões, tirar umas dúvidas. Nessa conversa, que aconteceu numa janela da grade horária dele, eu contei o tema da minha dissertação – encarceramento em massa. Coincidentemente, ele iria dar uma aula de conteúdo bem próximo naquele dia – e isso eu ainda não sabia.

Então ele me perguntou se eu estaria pronto para dar uma aula sobre isso. Eu respondi algo como “claro, tranquilo”… “quando seria?”. Ele olhou pro relógio e disse: “daqui 10, 15 minutos”. Na hora não deu nem tempo de ficar nervoso. Eu dei uma risada enquanto começava a pensar como eu iria organizar uma aula de 1:30h, pra uma turma de 4º ano, em 10 minutos. Não tinha como recusar, era uma baita oportunidade…

No final deu tudo certo. Eu fui seguindo o sumário da minha dissertação e falando sobre os pontos que considerei mais adequados. Aparentemente, a galera curtiu. Fizeram várias perguntas, trocaram ideia comigo depois da aula e até aplaudiram no final (risos). Eu cheguei inclusive a enviar minha dissertação pra uma pessoa que me pediu no dia seguinte! Então eu fiquei bem satisfeito e orgulhoso. E também muito grato ao meu orientador que possibilitou essa experiência. Foi uma grande quebrada de gelo (risos).

TikTalk: O seu grande sonho é realmente ser professor?

Luiz Phelipe: Exatamente! Meu objetivo é ser professor. Ao trabalhar no sistema de justiça criminal, você sente diariamente o que é frustração e injustiça. Óbvio que, por exemplo, tirar um inocente da cadeia, é muito relevante, e isso você consegue somente por meio da atuação no sistema penal. Mas, na universidade, trabalhando como professor, você atua diretamente na formação do futuro delegado, do futuro promotor, do futuro juiz – ou seja, de todos os agentes que podem levar (e constantemente levam) ao cenário de injustiça que indiquei. Nesse sentido, entendo que o alcance da atuação do professor é muito maior e mais profundo.

TikTalk: Como foi sua experiência na Itália?

Luiz Phelipe: Seis meses depois de me formar em Direito no Mackenzie, consegui entrar no mestrado em Criminologia na Itália. Foi uma experiência muito interessante, por vários motivos. Academicamente, tive contato direto e pude aprender com professores de criminologia conhecidos no mundo inteiro, o que, por si só, já seria válido o suficiente. Lembro de uma experiência interessante: eu estava em um congresso, fazendo minha primeira apresentação, quando percebi que na plateia estavam diversos professores cujas obras traduzidas para o português eu já havia lido. E eu falando sobre um tema complexo e em uma língua que não era a minha língua-mãe.

Além disso, há também o aprendizado cultural. Morar em um novo país, onde as pessoas não falam sua língua, estar na Europa em uma época de crise econômica e social, inclusive relacionada à imigração (ainda que o foco do preconceito primário não fosse brasileiros ou sul-americanos), são coisas capazes de expandir sua compreensão de mundo e de conflitos, de perspectivas etc. Bom, também se come e se bebe muito bem na Itália (risos).

TikTalk: Você teve trabalhos reconhecidos por grandes educadores. Como é receber esse reconhecimento? 

Luiz Phelipe: É muito gratificante. Fazer pesquisa, no Brasil, ainda não é algo muito reconhecido, seja social, seja economicamente. Então ter um reconhecimento por professores que te influenciaram – e ainda influenciam – é muito estimulante. Algo que indica que seu percurso faz sentido, e que é possível continuar nessa direção. Sem contar com a possibilidade de crescimento e desenvolvimento com as críticas construtivas que surgem daí.